terça-feira, 19 de julho de 2016

O Leão quer sua herança



Projetos de lei da União e dos Estados podem elevar o imposto sobre heranças e doações do atual teto de 8% para salgados 25%. Saiba como proteger seus herdeiros


Mark Zuckerberg prometeu doar 99% de suas ações do Facebook, que estão avaliadas em US$ 45 bilhões, para sua fundação de caridade. A inspiração veio de Bill Gates, que doou US$ 44,3 bilhões à Fundação Bill e Melinda Gates. Warren Buffet já doou US$ 25,5 bilhões e anunciou que doará 99% de seus US$ 64,5 bilhões. E até o brasileiro Jorge Paulo Lemann, um dos homens mais ricos do mundo, se animou a enviar um cheque de US$ 3,5 milhões à universidade Harvard, onde estudou.
No ano passado, as doações de cidadãos e empresas americanas bateram um recorde e chegaram a US$ 373,25 bilhões, alta de 4% ante 2014. Bondade? Sim, mas também uma dose do velho pragmatismo americano. “Mais que filantropia, as doações nos Estados Unidos são uma forma de deixar um legado, pois uma parte considerável do patrimônio iria para o pagamento de impostos”, diz o advogado Marcos Ferraz de Paiva, sócio do escritório Choaib, Paiva e Justo. Lá, doações a instituições filantrópicas são isentas de impostos, mas a mordida do Leão no caso de doações familiares e heranças pode chegar a 40%.
Por aqui, a alíquota do Imposto sobre Transmissão, Causa Mortis e Doação (ITCMD), tributo recolhido pelos Estados, é considerada baixa. Varia de 4% ao máximo de 8% estabelecido pela Constituição. Mas isso deve mudar. Desde maio do ano passado, quando Brasília indicou sua intenção em cobrar impostos sobre heranças e doações, 13 Estados elevaram suas alíquotas. Isso provocou uma corrida aos tributaristas para discutir a melhor estratégia para o planejamento sucessório e patrimonial das famílias.
Muitos anteciparam suas doações, tanto que a arrecadação do ITCMD no Estado de São Paulo cresceu 37% no ano passado, somando R$ 2,4 bilhões. Em nível federal, a mordida sobre as heranças tem duas frentes. Uma delas é o Projeto de Emenda Constitucional (PEC) 60/2015, do deputado Paulo Teixeira (PT-SP), que prevê estabelecer um imposto federal que vai cobrar até 20% sobre doações e transferências. A fatura seria rachada com os Estados, que continuariam recebendo sua fatia do ITCMD. A outra é o Projeto de Lei 6094/2013, do deputado Vicente Cândido (PT-SP), que prevê a retirada da isenção de Imposto de Renda para heranças e doações, estabelecendo alíquotas progressivas, que podem chegar a 25%.
Há uma faixa de isenção de até R$ 1 milhão para doações e R$ 5 milhões para heranças. “Essa proposta é inconstitucional”, avalia Paiva, do escritório Choaib, Paiva e Justo. “A Constituição de 1988 destina o imposto sobre herança e doações aos Estados e o Imposto de Renda vai para a União.” Apesar de nenhuma delas ter vingado – ainda –, a intenção da União em abocanhar parte da receita dos estados gerou reações, claro. O Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz), que reúne os secretários da Fazenda dos Estados e do Distrito Federal, enviou ao Senado um projeto que pede o aumento da alíquota máxima do ITCMD para 20%.
E, paralelamente, diversas Assembleias Legislativas estaduais colocaram na pauta pedidos de aumento da alíquota do imposto. Uma delas é a de São Paulo. O percentual hoje é de 4% e pode subir para 8%. Para valer a partir do ano que vem, a lei tem de ser aprovada até o fim de setembro, 90 dias antes da data em que passa a vigorar. “Em um futuro próximo, podemos afirmar com certeza que a alíquota vai aumentar. Tanto o governo federal quanto os estados precisam de dinheiro”, diz o advogado José Henrique Longo, sócio do escritório PLKC Advogados.
O quadro é grave. A aprovação de um dos projetos de lei federais, ao lado da resolução do Confaz, pode fazer com que um quarto do total herdado ou doado fique com o Fisco. “Estamos falando de uma alíquota de 25% sobre o total”, diz Paiva. Existem diversas estratégias para blindar o patrimônio. A escolha envolve as relações dos integrantes da família, os objetivos de cada um e o tamanho do patrimônio. Os especialistas ouvidos pela DINHEIRO propõem algumas medidas. Uma delas é fazer a reorganização patrimonial, separando a posse das empresas do dinheiro da família.
Depois, é preciso investir na governança, estabelecendo as regras de convivência familiar e do negócio para resolver conflitos e estipular quórum para a tomada de decisões como, por exemplo, a venda da empresa. A tributarista Verônica Sprangim, sócia da Duarte Garcia, Caselli Guimarães e Terra Advogados, recomenda a criação de uma empresa sob o regime fiscal de lucro presumido para administrar bens e imóveis. No caso de participações em companhias, explica, pode-se optar por uma Sociedade Anônima ou por uma holding patrimonial.
“Isso facilita a divisão de patrimônios maiores, já que os herdeiros recebem cotas iguais, e encerra o debate sobre bens individuais”, diz Sprangim. A constituição da empresa estabelece critérios de administração desses bens e evita conflitos. Mas, antes de dar início ao processo, é preciso fazer contas e verificar se a economia justifica pagar a alíquota de cerca de 17% no lucro presumido e as despesas com advogados e contadores.
A cifra a partir da qual essas estratégias compensam varia, mas está acima de R$ 20 milhões. Para legados maiores, justifica-se criar uma fundação, que isenta os herdeiros do ITCMD. As famílias com muitos recursos, principalmente aquelas que têm um patrimônio elevado no exterior, podem adotar um trust. “O trust não é regulamentado no Brasil, e a Receita Federal pode vir a cobrar tributos, então essa é uma estratégia que não recomendo para pessoas com ativos somente no País”, diz a advogada.
Já nos casos de doações, o doador terá de observar o limite de isenção de cada estado. Em São Paulo, o teto é de R$ 58.087 ao ano, por familiar. Acima do teto, o Estado cobra o ITCMD. “A doação vale a pena para quem tem pouco patrimônio. Mas, no atual cenário, é uma corrida contra o tempo”, alerta Verônica. “As transferências de patrimônio para os filhos têm de ser feitas com cuidado, de forma que não haja perda de controle dos ativos ou que ele se dilua com divórcios ou dívidas”, diz Longo.
Fonte: istoedinheiro

Banco do Brasil, uma vítima do populismo



Objeto das pedaladas fiscais, o BB foi um instrumento do PT para expandir artificialmente o crédito e  serviu para desviar recursos


O Banco do Brasil é uma potência. Suas 17.462 agências e postos atendem todos os municípios do País. É líder em empréstimos, com R$ 592 bilhões. Também é o maior em depósitos. Segundo os dados do dia 31 de março, o BB guardava R$ 482,5 bilhões em poupanças e investimentos de seus clientes. No entanto, nos últimos 15 anos, essa máquina foi vítima do populismo. Em vez de servir seus 63 milhões de correntistas e clientes, ele prestou-se a desviar dinheiro e a executar políticas públicas equivocadas. O aparelhamento do banco o tornou menos rentável que os seus concorrentes privados de varejo.
O BB tem um corpo técnico de qualidade. No entanto, o aparelhamento e o uso político da institução vêm comprometendo seus resultados. Os números mostram isso. Segundo a consultoria Roland Berger, entre 2011 e 2015, a rentabilidade patrimonial do BB foi de 17,1% ao ano, ante 21,9% do Itaú Unibanco e de 19,8% do Bradesco. Apesar de maior e de poder desfrutar ganhos de escala, o BB rende menos que seus concorrentes. O resultado pode ser medido na Bolsa. Entre o fim de 2010 e a quarta-feira 13, as ações dos três maiores bancos privados, Itaú, Bradesco e Santander, haviam acumulado uma alta média de 37,2%. Já os papéis do BB haviam recuado 11,5%.
O caso mais emblemático de aparelhamento foi o de Henrique Pizzolato. Sindicalista e político ligado ao PT paranaense, ele foi indicado para a diretoria de marketing do BB em 2003. Aproveitou-se do cargo para desviar dinheiro de um contrato da agência DNA Propaganda, do publicitário Marcos Valério, a quem favoreceu, nesse ano, na renovação de um contrato de R$ 152,8 milhões. Envolvido no Mensalão, ele foi condenado a 12 anos e sete meses de prisão por formação de quadrilha, peculato e lavagem de dinheiro. Pizzolato fugiu para a Itália, mas foi capturado e extraditado para o Brasil.
A Procuradoria Geral da República afirma, textualmente, que o esquema destinou-se a desviar dinheiro para financiar a compra de apoio de parlamentares ao governo do PT. O BB também foi usado como um instrumento para reaquecer a economia após a crise internacional de 2008 e para, artificialmente, baixar os juros e expandir o crédito nos governos de Luiz Inácio Lula da Silva e de Dilma Rousseff. A primeira intervenção ocorreu no fim de 2008. Naquela ocasião, dez milhões dos 30 milhões de correntistas tiveram seus limites de crédito elevados.
Em 2009, segundo o Banco Central (BC), o crédito concedido pelos 50 maiores bancos cresceu 14,9%. Nada mau, só que o avanço dos bancos privados foi de modestos 3,9%. Liderados por BB e Caixa, os estatais elevaram seus créditos em 42%. Além de arriscada, essa prática distorce o mercado. “A participação do cheque especial é muito alta no crédito”, diz Roberto Troster, que comandou o departamento de economia da Federação Brasileira de Bancos. “Esse tipo de crédito é mais adequado em um cenário de hiperinflação.” Troster não analisa especificamente o BB, mas avalia que o mercado de crédito poderia ter sido beneficiado pela mudança do perfil de endividamento das pessoas físicas.
O governo fez mais. O BB, como outros bancos federais, teve de usar recursos próprios para honrar programas sociais. O Tesouro atrasou pagamentos aos bancos para disfarçar o rombo nas contas públicas, as pedaladas fiscais. “O governo Dilma Rousseff praticou fraude fiscal e contabilidade destrutiva”, disse Júlio Marcelo Oliveira, representante do Ministério Público Federal no Tribunal de Contas da União em seu depoimento à comissão de impeachment no Senado. Só para o BB, a conta das pedaladas entre 2010 e 2015 ficou em R$ 14,8 bilhões. As dívidas só foram quitadas no fim de 2015. Mau negócio para o banco. E para o Brasil.




Fonte: istoedinheiro
Link: http://www.istoedinheiro.com.br/noticias/economia/20160715/banco-brasil-uma-vitima-populismo/393643
 

Quais os direitos dos estagiários?

Saiba quais as regras de horários, férias e benefícios

Ter estagiários na equipe é a saída encontrada por muitas empresas para formar mão de obra. Porém, todos os detalhes burocráticos e a formalização podem confundir os contratantes. Para facilitar o processo, Kleber Costa, CEO do Estagiários Online, plataforma de recrutamento e seleção de estagiários, esclarece as principais dúvidas:

1. Horários e férias
A jornada mais adotada é a de 30h semanais para o estágio de estudantes do ensino superior e educação profissional. O horário pode ser alterado em razão do período das aulas, de avaliações e de outros trabalhos didáticos. “Em semana de provas, o estudante poderá trabalhar meio período, a fim de garantir um bom desempenho nas avaliações, entretanto essa condição deverá estar prevista no termo de compromisso”, explica Costa. O universitário não pode compensar horas, pois é proibido fazer hora extra. Também tem direito a férias remuneradas de 30 dias, após um ano de contrato. O ideal é ser no mesmo período do recesso da faculdade.

2. Remuneração e benefícios
A bolsa-auxílio é mandatória somente quando o estágio não é obrigatório. O jovem também tem direito a auxílio-transporte, mas outros benefícios são opcionais. “Lembrando que todo estagiário precisa ser supervisionado na empresa e na universidade. E o funcionário encarregado deve fazer avaliações semestrais”, afirma o CEO.

3. Formalização
Para cumprir todas as regras da Lei de Estágio, a empresa precisa ter um termo de compromisso e seguro contra acidentes pessoais. Plataformas como o Estagiários Online já resolvem essa parte para os contratantes, fornecendo a apólice e o termo pelo site. “Em breve, todo o processo será resolvido virtual e automaticamente. Hoje, as empresas já podem postar uma vaga ou criar um radar de talentos, fazer todo o processo de seleção online, inclusive com videocurrículos e chat online, tudo de forma gratuita”, esclarece Kleber.